O Porto Santo tem qualquer coisa de especial. Não é só aquela praia interminável de areia dourada que nos conquista à primeira vista – é a calma, a simplicidade e a sensação de que o tempo abranda! Para famílias, é um verdadeiro paraíso: seguro, acolhedor e cheio de experiências para viver fora da rotina. Depois de mergulhar nas águas cristalinas e explorar os principais recantos da ilha, quisemos fazer algo diferente, um programa que puxasse pelos miúdos, juntasse natureza, aventura e ajudasse a revelar uma vista diferente sobre a ilha! Mas o que mais podíamos fazer no Porto Santo?

Assim, em conversa com uns amigos, surgiu uma ideia que sabíamos que iria fazer um sucesso junto dos miúdos, e lhes ficaria na memória durante muito tempo. Desta vez, íamos dar um passeio a cavalo no Porto Santo! Estávamos a caminho na nossa carrinha e dissemos aos miúdos que tínhamos uma surpresa, mas nunca revelámos qual.

À medida que nos aproximávamos do Centro Hípico do Porto Santo, surgem logo as perguntas: “O que é isto, pai?”.
Saímos da carrinha, e passámos pelas cavalariças, onde vimos logo vários cavalos, uns resguardados e outros cá fora, e a excitação começou a aumentar, bem visível nos sorrisos dos miúdos. “Cavalos! Podemos andar?”, dispararam. Quando perceberam que íamos mesmo dar uma volta, ficaram em êxtase. É tão bom ver esta felicidade nos nossos filhos. “Posso dar uma festinha?”, “Posso tocar nele?”, não se conseguiam conter ali ao lado dos cavalos. Mas primeiro tínhamos de nos apresentar ao Sr. Paulo Ornelas – responsável pelo Centro Hípico do Porto Santo e por tratar tão bem destes animais espetaculares – com quem tínhamos combinado este passeio a cavalo no Porto Santo.

Apresentações feitas, com muita simpatia, lá definimos o roteiro para um passeio tranquilo, com cerca de sessenta minutos, até um planalto com a melhor vista sobre Porto Santo – assim nos garantiu o Paulo. Primeiro passo: encontrar os capacetes certos para cada um. Num ápice já estávamos todos equipados e a perguntar em que cavalo íamos montar.
“O meu filho pode ir sozinho?”, perguntei, já a adivinhar o entusiasmo do Francisco se isso fosse possível. Com apenas 5 anos, estava desejoso por uma aventura dessas. “Vamos a isso! Vai neste cavalo mais pequeno e eu tomo conta dele”, respondeu o Paulo, com um sorriso de quem sabia que estava prestes a fazer um miúdo muito feliz. Bastava olhar para a cara do Francisco quando montou o cavalo para perceber o nível de entusiasmo: de repente, estava sozinho lá em cima, rédeas na mão, sem saber muito bem o que fazer, mas radiante com a situação!
“Vera, vens com o pai?”, perguntei à minha filha de 3 anos, que ainda era muito pequena para ir sozinha. E assim fomos: em três cavalos – um para a Margarida, outro para o Francisco e outro para mim e para a Vera. O Paulo seguiu ao nosso lado, a pé, para indicar o caminho, ajudar o Francisco e garantir que tudo corria com segurança.

Os cavalos estavam impecáveis: tranquilos, dóceis e muito bem tratados. Acho que também gostaram da quantidade de festinhas que os nossos filhos lhes deram durante todo o percurso, que deve ter sido um dos melhores programas em família no Porto Santo. A certa altura, o Paulo largou as rédeas do cavalo do Francisco, que passou a seguir sozinho à nossa frente. Lembro-me da expressão no rosto dele nesse momento de “liberdade”, a olhar para trás como quem dizia: “Pai, estou mesmo a andar de cavalo sozinho!”. E pensar que nunca tinha estado em cima de um cavalo na vida!

Chegámos ao prometido planalto, na zona do Cabeço da Ponta, e o Paulo tinha mesmo razão. “Que vistaça!”, disse eu. O Ilhéu da Cal ao fundo, com os raios de sol a bater na água cristalina, azul-clara com tons dourados da areia, era simplesmente incrível. Em frente, a sul, estendia-se toda a praia do Porto Santo, com os hotéis, o Cais Velho e a marina a leste. E nós, os quatro, sentados nos cavalos a desfrutar daquela paisagem, enquanto o Paulo nos contava histórias curiosas sobre a ilha.

Tirámos boas fotos, rimos muito com a alegria dos miúdos e fizemos um regresso tranquilo até ao hipódromo, onde desmontámos, recuperámos as nossas coisas e demos por terminado este passeio a cavalo no Porto Santo. Há programas em família que ficam para sempre na memória – este foi, sem dúvida, um deles!