ENQUADRAMENTO HISTÓRICO

Por ordem do Infante Dom Henrique, chegaram à Madeira, no primeiro quartel do século XV, as primeiras socas de cana-sacarina (Saccharum officinarum) vindas da Sicília. Aqui encontraram um solo fértil e água em abundância trazida pelas pequenas levadas desde a madre de água das principais ribeiras. Os locais onde mais se produzia cana-sacarina e onde se encontrava a maioria dos engenhos situavam-se na vertente sul da ilha, nomeadamente nos concelhos do Funchal, Ribeira Brava, Ponta do Sol e Calheta.
 
A primeira referência ao açúcar da Madeira data de 1433 e duas décadas mais tarde era já produzido em quantidades suficientes para ser exportado, sendo considerado o mais refinado do mercado. O açúcar da Madeira afirmou-se no mercado europeu pela sua qualidade, competindo com o açúcar da Sicília, Egito e Marrocos, e era exportado para Inglaterra, Flandres, França, Itália, Constantinopla, entre outros mercados. O açúcar, apelidado de “Ouro Branco”, era exportado dentro de uma espécie de “cones” feitos em barro, denominados de “Pão de Açúcar” ou “Cones de Açúcar”.
 
A economia madeirense progrediu com as exportações de açúcar para a Europa e os grandes produtores de cana-sacarina, começaram a encomendar obras de arte sacra às escolas nórdicas de Flandres e Bruges, como forma de agradecimento a Deus, pelas colheitas favoráveis. Todos, sem diferença de condição social, usufruíram desta riqueza.
 
As igrejas matrizes e algumas capelas receberam obras de arte sacra, quer em pinturas quer em esculturas, e ainda outras peças de arte em prata e cobre. Hoje, algumas dessas obras podem ser visitadas no Museu de Arte Sacra e nas principais igrejas e capelas da ilha, sobretudo na vertente sul. Podemos afirmar que a arte flamenga na ilha é um dom do açúcar.
 
Na segunda metade do século XVI, as colónias portuguesas, como o Brasil e São Tomé, iniciaram a sua produção da cana-de-açúcar a partir de socas que foram levadas da Madeira. Estas produções eram feitas em maiores quantidades e a menor custo, abrandando a produção de açúcar na Madeira.
 
A produção de cana-de-açúcar na Madeira sempre teve um custo elevado devido a vários fatores naturais e humanos. A orografia peculiar da ilha não permite que se tenham grandes plantações de cana-de-açúcar e levou a que as plantações tivessem que ser feitas em pequenos socalcos ao longo das encostas da ilha, o que nunca permitiu a introdução de maquinaria para a sua plantação e transporte, obrigando a que o homem tivesse que esculpir levadas quase manualmente, para poder levar água àquelas plantações. Todo este processo para a produção da cana-sacarina da Madeira eleva, consequentemente, o seu custo quando comparado com a cana-de-açúcar produzida em outros locais do mundo.
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